O Amazonas atravessa um período de temperaturas elevadas e redução no volume de chuvas, cenário que aumenta a atenção para a possibilidade de uma estiagem mais intensa durante o segundo semestre de 2026.
Segundo a meteorologista e professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Juliane Kayse Albuquerque da Silva Querino, as previsões apontam para temperaturas acima da média, umidade relativa do ar mais baixa e chuvas abaixo do esperado em algumas regiões do Estado.
A especialista explica que o comportamento climático também sofre influência do fenômeno El Niño, que pode contribuir para o aumento das temperaturas e alterações no regime de precipitações.
Calor não impede tempestades
Mesmo durante o período mais seco do chamado verão amazônico, que normalmente ocorre entre julho e novembro, o calor intenso pode favorecer a formação de tempestades localizadas.
As chamadas chuvas convectivas acontecem quando o aquecimento da superfície faz o ar quente e úmido subir rapidamente. O processo pode formar nuvens de grande desenvolvimento vertical e provocar pancadas de chuva fortes, mas geralmente concentradas e de curta duração.
Por isso, enquanto determinadas áreas podem permanecer sem chuva, regiões próximas podem registrar tempestades intensas em pouco tempo.
Granizo é registrado no interior
Um exemplo recente ocorreu em Manicoré, no interior do Amazonas. Na segunda-feira (10), o município registrou uma forte tempestade acompanhada de granizo.
Foram registrados 22,8 milímetros de chuva em pouco tempo, volume próximo ao esperado para todo o mês de agosto, segundo informações meteorológicas locais. No mesmo dia, Boca do Acre chegou a registrar 37°C.
De acordo com a meteorologista, o granizo se forma quando correntes de ar quente transportam gotículas de água para regiões muito frias no topo das nuvens. As gotas congelam e podem retornar à superfície em forma de pedras de gelo.
Durante tempestades com granizo, a recomendação é procurar abrigo em local seguro e evitar áreas abertas, árvores, estruturas frágeis e outros locais que ofereçam risco durante a ocorrência de ventos fortes.
Seca de 2024 serve de alerta
A possibilidade de uma nova estiagem severa é acompanhada com atenção devido aos impactos registrados em 2024. Naquele ano, os 62 municípios do Amazonas foram colocados em situação de emergência.
Em Manaus, o Rio Negro chegou a uma das menores cotas já registradas, atingindo 12,66 metros em outubro. A seca afetou a navegação, o transporte de moradores de comunidades ribeirinhas, o abastecimento e atividades econômicas dependentes dos rios.
Para Juliane, existe atualmente a possibilidade de uma estiagem severa em 2026, mas ainda não é possível afirmar se o fenômeno terá intensidade semelhante ou superior à registrada em 2024.
Além do El Niño, outros fatores oceânicos e atmosféricos influenciam o regime de chuvas na Amazônia. Durante as secas de 2023 e 2024, por exemplo, as temperaturas elevadas no Atlântico Norte também contribuíram para as condições que favoreceram a estiagem.
Próximos meses serão decisivos
Com o avanço do período tradicionalmente mais seco no Amazonas, o comportamento das chuvas e dos rios será determinante para avaliar a intensidade da estiagem.
A previsão de calor acima da média e precipitações reduzidas exige atenção da população. Ao mesmo tempo, o cenário climático mostra que dias de temperaturas extremas podem ser seguidos por tempestades rápidas e intensas.
O acompanhamento das temperaturas, do volume de chuvas e dos níveis dos rios será fundamental para avaliar a evolução do período seco no Estado.
Foto: Nete Santos/AM Post
Fonte: AM Post
