A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições 2026, muitos eleitores ainda avaliam quais candidatos escolher. Em meio ao grande número de nomes na disputa e à predominância de outros assuntos no debate público, especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam alguns critérios que podem ajudar na análise antes da votação.
Entre as recomendações estão conhecer as próprias prioridades, entender as funções de cada cargo, avaliar propostas e histórico político, verificar quem financia as campanhas e observar o posicionamento dos partidos. As informações sobre propostas de governo, declaração de bens e prestação de contas dos candidatos podem ser consultadas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Primeiro passo é identificar as próprias prioridades
Antes de analisar os candidatos, os especialistas recomendam que o eleitor reflita sobre quais problemas considera prioritários e quais interesses pretende ver representados na política.
Questões como condição social e econômica, visões de mundo e expectativas em relação às políticas públicas podem ajudar a estabelecer critérios para a escolha.
O professor de Ciência Política João Feres Júnior, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca que os interesses dos eleitores podem ser diferentes. Trabalhadores, empresários e profissionais autônomos, por exemplo, podem avaliar de maneiras distintas uma mesma proposta.
Segundo ele, compreender essas diferenças é importante porque as decisões tomadas pelos governos produzem efeitos diferentes sobre grupos da sociedade.
Entenda o que cada cargo pode fazer
Outro cuidado apontado pelos especialistas é conhecer as atribuições do cargo em disputa. Isso ajuda a diferenciar propostas que estão dentro das competências de determinado mandato de promessas que dependem de outra esfera do Poder Público.
A professora da Universidade de Brasília (UnB) Débora Messemberg explica que deputados e senadores participam da elaboração das leis, fiscalizam o Executivo e podem atuar na destinação de recursos por meio do Orçamento e de emendas, mas não executam diretamente políticas públicas ou obras.
Já o presidente da República exerce o Poder Executivo federal e administra a estrutura do governo federal. Os governadores comandam a administração estadual, incluindo áreas como segurança pública, educação estadual, hospitais regionais e rodovias estaduais.
Deputados federais, estaduais e distritais atuam na elaboração de leis, fiscalização do Executivo e participação no orçamento. Os senadores representam seus estados no Congresso, participam da votação de leis federais e exercem outras atribuições previstas na Constituição.
Histórico também deve ser analisado
Além das promessas feitas durante a campanha, os especialistas recomendam verificar o histórico dos candidatos que já exerceram cargos públicos.
A análise pode incluir a atuação parlamentar, votações em projetos relevantes, decisões administrativas e medidas adotadas durante mandatos anteriores. A comparação entre o que foi prometido anteriormente e o que efetivamente foi realizado pode ajudar o eleitor a avaliar a trajetória do candidato.
Também é recomendado observar quem financia a campanha e quais setores ou grupos apoiam o candidato. Essas informações estão disponíveis nas prestações de contas eleitorais.
Partido e alianças também entram na análise
A escolha não envolve apenas a trajetória individual do candidato. No sistema político brasileiro, partidos e federações exercem influência sobre a atuação dos eleitos.
A cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara, da Universidade Federal do Pará (UFPA), explica que os partidos possuem programas e posições políticas e que, principalmente no Legislativo, os parlamentares podem seguir orientações de suas bancadas durante as votações.
Por isso, uma análise mais ampla pode considerar como a legenda costuma votar, quais pautas historicamente apoia, sua posição ideológica e as alianças estabelecidas com outras siglas.
Atenção ao sistema proporcional
Nas eleições para deputado federal, deputado estadual e deputado distrital, além das eleições municipais para vereador, a distribuição das vagas segue o sistema proporcional.
Nesse modelo, os votos recebidos pelos candidatos de um mesmo partido ou federação são considerados conjuntamente para a distribuição das cadeiras. O sistema utiliza o quociente eleitoral e estabelece ainda uma votação mínima individual para que candidatos possam ocupar as vagas conquistadas pela legenda.
É nesse contexto que aparecem os chamados “puxadores de voto”, candidatos que conseguem uma votação expressiva e contribuem para que outros integrantes da mesma legenda ou federação também sejam eleitos.
O cientista político Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), recomenda que o eleitor conheça a nominata completa do partido ou federação antes de escolher seu candidato.
O que levar e o que não pode na cabine
No dia da votação, o eleitor poderá levar uma anotação em papel com os nomes e números dos candidatos para consultar na cabine.
O celular, porém, deve permanecer fora da cabine. Também não é permitido entrar no local de votação portando equipamentos que possam registrar imagens do voto, como câmeras e filmadoras. Quando necessário, o aparelho deve ser deixado com os mesários.
A manifestação individual e silenciosa de preferência política é permitida, inclusive por meio de camisetas, adesivos, broches e bandeiras. Já manifestações coletivas ou ruidosas, abordagens e tentativas de influenciar outros eleitores são proibidas.
O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado em 4 de outubro. Na votação, estarão em disputa os cargos de deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores por estado, governador e presidente da República.
A análise das propostas, do histórico dos candidatos, das posições partidárias e das regras do sistema eleitoral pode ajudar o eleitor a compreender melhor as opções disponíveis antes de registrar o voto.
