O governo dos Estados Unidos teria condicionado uma eventual redução das tarifas impostas a produtos brasileiros à adoção de uma série de medidas favoráveis às empresas americanas. A informação foi relatada por interlocutores do governo brasileiro que participam das negociações entre os dois países.
Entre as principais exigências apresentadas pelos norte-americanos estaria a eliminação das tarifas de importação para produtos dos setores industrial, químico, aeroespacial e automotivo provenientes dos Estados Unidos.
As demandas se somariam a outras propostas já discutidas anteriormente nas negociações, como a isenção da tarifa sobre o etanol americano, a não regulamentação das plataformas digitais e a inclusão do Pix nas tratativas comerciais.
De acordo com integrantes do Palácio do Planalto, as condições apresentadas foram consideradas incompatíveis com os interesses nacionais. A avaliação dentro do governo é de que aceitar as exigências teria um impacto econômico superior aos efeitos provocados pelas novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.
Segundo estimativas iniciais do governo brasileiro, o novo pacote tarifário deverá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
Disputa política
O aumento das tarifas também intensificou o debate político no Brasil. Enquanto representantes da oposição atribuem a medida a falhas na condução das negociações pelo governo federal, integrantes do Palácio do Planalto afirmam que a decisão do governo do presidente Donald Trump possui motivação política e ideológica.
As novas tarifas estão previstas para entrar em vigor no dia 22 de julho.
Negociações continuam
Mesmo diante do impasse, o governo brasileiro afirma que manterá os canais diplomáticos abertos para tentar reduzir os impactos da medida sobre os setores exportadores.
Segundo a diplomacia brasileira, desde o anúncio do primeiro pacote tarifário foram realizados mais de 30 contatos entre representantes dos dois países, incluindo reuniões presenciais, videoconferências e conversas telefônicas em níveis presidencial, ministerial e técnico.
A estratégia do governo é dar continuidade às negociações de forma cautelosa, buscando preservar o diálogo e minimizar os efeitos das tarifas sobre a economia brasileira.
