Indígenas Pirahã receberão consultas e exames especializados durante expedição do SUS no sul do Amazonas

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O Sistema Único de Saúde (SUS) realizará, entre os dias 9 e 16 de agosto, uma expedição para levar atendimento especializado aos indígenas do povo Pirahã, no sul do Amazonas. A iniciativa prevê a realização de 1.155 atendimentos especializados destinados aos 478 indígenas que vivem no território, garantindo acesso a consultas, exames e procedimentos sem que seja necessário o deslocamento para centros urbanos.

Ao longo dos oito dias de atividades, serão oferecidas 210 consultas em oftalmologia, 200 em clínica médica, 130 em pediatria, 60 em saúde da mulher e 555 exames, incluindo análises bioquímicas, exames oftalmológicos e ultrassonografias. Todos os atendimentos serão eletivos e têm como objetivo reduzir a demanda reprimida por serviços de média complexidade na região.

A ação será realizada no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Porto Velho e faz parte da estratégia do programa Agora Tem Especialistas, coordenado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e a Associação Médicos da Floresta (AMDAF).

Ao todo, 41 profissionais participarão da operação. O DSEI Porto Velho será responsável por disponibilizar 24 profissionais, encarregados da triagem, busca ativa de pacientes, administração de medicamentos, apoio aos indígenas e acompanhantes, além de toda a logística da expedição. Já a AMDAF atuará com 17 integrantes, entre médicos especialistas, enfermeira, biomédica e equipe operacional.

Atendimento especializado chegará a áreas de difícil acesso

A expedição integra a segunda etapa da estratégia do SUS voltada à ampliação da assistência especializada em territórios indígenas de difícil acesso.

Segundo a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé, a iniciativa busca garantir atendimento adequado às características de cada território.

“Esta etapa das expedições amplia uma estratégia que tem levado atendimento especializado a territórios onde o acesso aos serviços de saúde exige planejamento e grande mobilização das equipes. Nosso objetivo é garantir que os povos indígenas recebam consultas, exames e procedimentos diretamente em suas comunidades, fortalecendo o acesso ao SUS de forma adequada às realidades de cada território”, afirmou.

Expedição atenderá cinco aldeias e comunidades em migração sazonal

A população Pirahã está distribuída em cinco aldeias e duas roças. Os atendimentos ocorrerão prioritariamente nas aldeias Forquilha Grande e Piquiá, que concentram aproximadamente 68% dos moradores, além de equipes atuarem em áreas utilizadas pela comunidade durante períodos de migração sazonal.

A logística para chegar ao território envolve transporte terrestre e fluvial. As equipes partirão de Porto Velho (RO) até Humaitá (AM), seguindo por cerca de 85 quilômetros pela Rodovia Transamazônica até a Ponte do Maici. A partir desse ponto, o deslocamento será exclusivamente por via fluvial, em aproximadamente quatro horas de navegação pelo rio Maici até as aldeias.

Estratégia amplia acesso à saúde indígena

A atuação no território Pirahã dá continuidade às expedições do SUS voltadas ao atendimento especializado em regiões remotas do país, onde as dificuldades geográficas limitam o acesso aos serviços de média complexidade.

A iniciativa sucede a expedição realizada entre 23 e 30 de julho na Terra Indígena Andirá-Marau, em Maués (AM), quando foram realizados 1.326 atendimentos especializados, 2.850 exames e procedimentos, 198 cirurgias e a produção e entrega de aproximadamente 300 óculos para a população indígena atendida.

Assim como ocorreu em Maués, os serviços serão ofertados diretamente nas aldeias por meio de estruturas temporárias de atendimento e equipes multiprofissionais, reduzindo a necessidade de remoções para centros urbanos e ampliando o acesso da população indígena aos serviços especializados.

A ação também segue as diretrizes da Portaria Conjunta nº 4.094, de 20 de dezembro de 2018, que orienta que as ações de saúde destinadas aos povos indígenas isolados e de recente contato respeitem sua organização social, seus modos de vida, sua autonomia e sua autodeterminação, priorizando atendimentos realizados no próprio território e evitando deslocamentos desnecessários.

Com informações do Ministério da Saúde.

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