Lula é reeleito presidente com 51,79% dos votos; TSE destaca participação popular e desafios da votação

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao receber 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) terminou em segundo lugar, com 59.826.041 votos, ou 48,21%. O resultado foi anunciado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que também apresentou um balanço do segundo turno das eleições de 2026.

Durante o pronunciamento, o ministro destacou a participação dos brasileiros no processo democrático e parabenizou os candidatos à Presidência e os seis governadores eleitos no segundo turno. Segundo ele, o eleitorado é o principal protagonista das eleições e o destinatário do trabalho realizado pela Justiça Eleitoral.

Mais de 158 milhões de pessoas estavam aptas a votar. Desse total, aproximadamente 128,2 milhões compareceram às urnas, enquanto a abstenção ficou em torno de 19,2%. O índice foi inferior aos 21,08% registrados no primeiro turno.

Para facilitar o acesso à votação, a Justiça Eleitoral disponibilizou mais de 95 mil locais em todo o país. A medida buscou aproximar as seções eleitorais dos cidadãos e reduzir os deslocamentos necessários para votar.

Transporte gratuito e horário de votação

O fornecimento de transporte coletivo gratuito durante os dias de votação também esteve entre os assuntos abordados pelo presidente do TSE. A medida segue parâmetros definidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e regulamentados pela Resolução-TSE nº 23.751/2026.

De acordo com Nunes Marques, os tribunais regionais eleitorais foram orientados a fiscalizar a oferta do serviço em seus respectivos estados. O acompanhamento também envolveu o TSE e a Corregedoria-Geral Eleitoral.

O ministro afirmou que eventuais falhas ou insuficiências no transporte devem ser apuradas pela Justiça Eleitoral, responsável pela organização do processo eleitoral.

Outro ponto destacado foi a prorrogação do horário de votação em algumas seções que ainda estavam abertas. Uma decisão liminar do STF estendeu o prazo das 17h para as 19h, no horário de Brasília, exigindo ajustes operacionais e técnicos durante a apuração.

Segundo o presidente do TSE, o pedido de ampliação do horário foi recebido por volta das 15h30. Ele relatou que buscou informações junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), às prefeituras envolvidas e às equipes técnicas do tribunal para avaliar as consequências da medida.

Como milhares de urnas já haviam sido encerradas às 17h, não foi possível reabri-las. Com isso, o recebimento dos Boletins de Urna precisou ser temporariamente suspenso, provocando acúmulo de arquivos para processamento.

Apesar dos desafios, o ministro afirmou que o trabalho das equipes permitiu dar continuidade à totalização dos votos. Das 499.248 urnas utilizadas no segundo turno, 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% do total.

Mais de 2,2 mil processos eleitorais

O balanço também apontou um volume expressivo de ações judiciais relacionadas às eleições. Conforme os dados apresentados por Nunes Marques, 2.265 processos foram submetidos ao TSE durante o pleito. Entre eles, estavam 827 representações e 446 pedidos de direito de resposta.

O presidente ressaltou que a análise dos processos exige avaliação técnica, respeito ao contraditório e fundamentação das decisões. Para ele, a necessidade de respostas rápidas na área eleitoral deve ser conciliada com as garantias do devido processo legal.

O ministro também defendeu o aperfeiçoamento dos procedimentos para as próximas eleições, com o objetivo de tornar os fluxos mais eficientes sem comprometer a qualidade das decisões judiciais.

Observadores e transparência

A atuação de observadores nacionais e internacionais também foi mencionada no pronunciamento. As missões acompanharam procedimentos de votação, mecanismos de auditoria e ações de fiscalização, com acesso às informações necessárias para desenvolver suas atividades de forma independente.

Segundo Nunes Marques, a presença dessas instituições contribui para a transparência do processo eleitoral e permite que a Justiça Eleitoral brasileira conheça experiências adotadas em outros países.

Inclusão e representatividade

O presidente do TSE classificou as Eleições 2026 como um marco em relação à inclusão e à participação política de grupos historicamente sub-representados.

Entre as iniciativas citadas estão medidas de incentivo às candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas, além de ações voltadas a comunidades quilombolas, povos tradicionais e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

O ministro também destacou a destinação mínima de recursos públicos para candidaturas femininas e negras e mencionou o programa Seu Voto Importa, voltado à ampliação do acesso ao exercício do direito de voto.

Ao encerrar o pronunciamento, Nunes Marques agradeceu aos ministros do TSE, integrantes do Ministério Público Eleitoral, magistrados, servidores, mesários, colaboradores e voluntários que atuaram durante o pleito. Também reconheceu o trabalho das forças de segurança, instituições parceiras, partidos políticos, candidaturas, imprensa e entidades fiscalizadoras.

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