O Partido Liberal (PL) decidiu manter a estratégia de levar adiante, a partir de 2027, pedidos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (6). A decisão ocorre após o resultado das eleições de 2026 e diante da nova composição do Congresso Nacional.
De acordo com a apuração do D24, a direção do partido descartou a possibilidade de um eventual “acordão” com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). A legenda avalia que os pedidos contra os ministros devem continuar dependendo dos desdobramentos políticos após as eleições.
O caso de Alexandre de Moraes é tratado pelo PL como uma das prioridades para 2027. Segundo o D24, integrantes da legenda afirmam já contar com 49 votos favoráveis no Senado para um eventual processo de afastamento. Para a aprovação de um impeachment de ministro do STF, são necessários 54 votos entre os 81 senadores.
A possibilidade de incluir Flávio Dino na ofensiva dependeria, segundo a reportagem, da postura adotada pelo ministro diante de eventuais decisões relacionadas ao cenário político pós-eleitoral. O PL também cita como fatores de avaliação investigações envolvendo emendas parlamentares e outras questões sob responsabilidade do STF.
Debate sobre aproximação com o STF
A discussão ocorre em meio a relatos de que integrantes do Supremo estariam avaliando uma aproximação com setores do bolsonarismo diante da nova correlação de forças no Congresso. A CNN informou que ministros analisam a possibilidade de diálogo com grupos políticos, enquanto o PL mantém a defesa de medidas contra integrantes da Corte.
Nesta terça-feira, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou que não haverá uma política de “vingança” contra o STF, mas defendeu que o Senado não seja omisso diante de eventuais acusações de crimes de responsabilidade contra ministros.
A nova composição do Senado também deverá pesar nas discussões. O PL elegeu 19 senadores em 2026 e passará a ter 28 integrantes na Casa a partir do próximo ano, formando a maior bancada do Senado.
Apesar das movimentações, eventuais processos de impeachment ainda dependerão da apresentação e tramitação dos pedidos no Senado, além da formação de maioria para uma eventual decisão de afastamento.
