UFMG desenvolve vacina terapêutica contra dependência de cocaína e crack

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Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) busca criar uma nova alternativa para o tratamento da dependência de cocaína e crack. Batizada de Calixcoca, a tecnologia é uma vacina terapêutica que pretende estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos capazes de se ligar à cocaína presente na corrente sanguínea.

A proposta é diferente das vacinas tradicionais, utilizadas para prevenir doenças. No caso da Calixcoca, o objetivo é auxiliar no tratamento de pessoas que já apresentam dependência da droga.

Como funciona a tecnologia

Segundo os pesquisadores, após a aplicação da vacina, o organismo passa a produzir anticorpos específicos. Quando a cocaína entra na corrente sanguínea, esses anticorpos se ligariam às moléculas da substância.

A combinação formaria uma estrutura maior, dificultando a passagem da cocaína pela barreira hematoencefálica, responsável por controlar a entrada de diversas substâncias no cérebro.

Com menos cocaína chegando ao sistema nervoso central, a expectativa é reduzir os efeitos provocados pela droga e, principalmente, ajudar no controle de episódios de recaída durante o tratamento da dependência.

A pesquisa é coordenada pelo professor Frederico Duarte Garcia, da Faculdade de Medicina da UFMG, e começou em 2015. Até o momento, a tecnologia foi avaliada em estudos pré-clínicos, incluindo testes em modelos animais.

Os resultados obtidos até agora foram considerados promissores pelos pesquisadores, que também analisaram aspectos relacionados à resposta imunológica e à segurança da formulação.

Próximo desafio é testar a vacina em humanos

Apesar dos resultados alcançados na fase pré-clínica, a Calixcoca ainda não está disponível para tratamento de pessoas com dependência de cocaína ou crack.

A próxima etapa envolve os estudos clínicos em seres humanos. Antes que uma eventual utilização médica seja autorizada, será necessário avaliar a segurança da vacina, possíveis efeitos adversos, dosagem adequada e sua efetividade no tratamento da dependência.

Em agosto de 2025, a UFMG e o Governo de Minas Gerais anunciaram a concessão de patentes da tecnologia no Brasil e nos Estados Unidos. Na ocasião, também foram anunciados R$ 18,8 milhões em investimentos públicos destinados à continuidade da pesquisa e à preparação para os testes clínicos.

A realização dos estudos em humanos ainda depende das autorizações necessárias e do cumprimento das etapas previstas no desenvolvimento de novos medicamentos.

Possível auxílio contra recaídas

A proposta da Calixcoca não é impedir completamente o consumo da droga, mas dificultar que a cocaína produza seus efeitos no cérebro.

De acordo com a estratégia estudada pelos pesquisadores, isso poderia representar uma ferramenta adicional para pessoas que já estão em tratamento, especialmente em situações de recaída.

A vacina, no entanto, não deve ser encarada como uma solução isolada para a dependência química. O transtorno por uso de substâncias envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais e normalmente exige acompanhamento multidisciplinar.

Ainda não é possível saber se os resultados observados nos estudos pré-clínicos serão confirmados em seres humanos. Essa avaliação dependerá dos ensaios clínicos e das análises posteriores.

Caso as próximas fases apresentem resultados positivos, a tecnologia desenvolvida pela UFMG poderá se tornar uma nova ferramenta no tratamento da dependência de cocaína e crack, ampliando as possibilidades terapêuticas disponíveis para pacientes e profissionais de saúde.

Foto: Divulgação/UFMG

 

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