O Amazonas deve enfrentar um período de menor volume de chuvas, temperaturas mais elevadas e redução da vazão dos rios nos próximos meses, com o avanço do fenômeno El Niño. O alerta foi apresentado pelo Governo Federal nesta quinta-feira (27), durante a teleconferência “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027”.
De acordo com as projeções apresentadas na reunião, o fenômeno poderá atingir intensidade “muito forte” entre setembro e novembro. A previsão considera o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que pode chegar a até 2,7°C acima da média no período.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, informou que as condições para a formação do El Niño foram oficialmente estabelecidas em 11 de junho e que o fenômeno entrou em fase de intensificação em julho.
Em agosto, as águas do Pacífico já apresentam temperaturas entre 1,7°C e 1,8°C acima da média, com possibilidade de aumento da anomalia nos próximos meses.
Impactos no Amazonas
No Norte do país, o El Niño está associado à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas, cenário que pode agravar a estiagem e acelerar a queda dos níveis dos rios.
Para o Amazonas, a combinação preocupa principalmente por causa dos impactos sobre a navegação, o abastecimento, as comunidades ribeirinhas e as atividades econômicas que dependem dos rios. A redução da disponibilidade de água também pode aumentar o risco de queimadas e incêndios florestais.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já havia indicado temperaturas acima da média para a Região Norte e volumes de chuva abaixo da média em áreas do Amazonas.
Governo prepara ações
Diante da possibilidade de agravamento dos eventos climáticos, o Governo Federal elaborou um plano de preparação e resposta que prevê R$ 1,335 bilhão em ações relacionadas aos possíveis impactos do El Niño.
Os recursos devem apoiar medidas de abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde, monitoramento hidrológico, fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais.
A Defesa Civil Nacional também vem preparando estados e municípios das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste para os efeitos da estiagem. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a chegada do El Niño aumenta o risco de redução das chuvas e agravamento da seca nessas áreas.
O cenário climático também já começa a afetar a navegação na Amazônia. A redução do nível dos rios tem provocado dificuldades logísticas e levado empresas de transporte marítimo a adotar medidas para manter o fluxo de cargas com destino a Manaus.
Com a previsão de intensificação do fenômeno entre setembro e novembro, o monitoramento dos rios, das condições meteorológicas e dos focos de calor deve ganhar ainda mais importância nos próximos meses.
