IPCA registra deflação de 0,11% em agosto, menor resultado para o mês desde o Plano Real

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,11% em agosto, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma mudança em relação a julho, quando a inflação havia avançado 0,07%.

Com a queda registrada no mês, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto. O resultado é o menor desde março de 2026, quando o acumulado estava em 4,14%.

O desempenho também ficou acima da projeção apresentada pelo mercado no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na última terça-feira (8). A estimativa apontava deflação de 0,23% para agosto.

Mesmo com a desaceleração, o acumulado permanece próximo do limite superior da meta de inflação. O objetivo estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o teto é de 4,5%.

Conta de luz teve maior impacto na queda

A principal contribuição para o resultado negativo veio do grupo Habitação, que apresentou queda de 1,87% em agosto. O desempenho foi influenciado principalmente pela redução nas contas de energia elétrica.

Os consumidores receberam, no mês, o chamado Bônus de Itaipu, crédito distribuído a partir do saldo positivo da conta de comercialização da usina hidrelétrica de Itaipu.

Com o desconto, a tarifa de energia elétrica residencial caiu, em média, 7,63%. O resultado fez com que a conta de luz apresentasse a menor variação para um mês de agosto desde o início do Plano Real.

O analista da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, explicou que o desconto é específico de agosto e, portanto, não deverá se repetir na conta de setembro.

“Não sabemos como ficará o resultado final, mas sabemos que o índice tende a subir”, afirmou.

Quatro grupos registraram queda

Dos nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, quatro apresentaram deflação em agosto.

Além de Habitação, que teve a maior queda, os grupos Alimentação e bebidas (-0,34%), Transportes (-0,86%) e Comunicação (-0,09%) também registraram redução de preços.

Na outra ponta, Despesas pessoais teve a maior alta, de 1,30%. Artigos de residência subiram 0,64%, Educação avançou 0,47%, Saúde e cuidados pessoais tiveram alta de 0,23% e Vestuário aumentou 0,12%.

Alimentos registram terceira queda consecutiva

Os preços dos alimentos recuaram pelo terceiro mês seguido. A alimentação e bebidas havia apresentado queda de 0,24% em junho e de 0,67% em julho.

Entre os produtos que mais ficaram baratos em agosto estão a batata-inglesa, com redução de 19,89%, a cenoura (-11,22%), a cebola (-11,07%) e o tomate (-10,94%).

Também houve queda nos preços do ovo de galinha, de 4,15%, e do café moído, de 1,86%.

Apesar das reduções, Alimentação e bebidas continua sendo o grupo de maior peso na composição do IPCA, representando 21,5% da cesta de consumo considerada pelo índice.

Passagens aéreas também ajudam a conter inflação

No grupo Transportes, as passagens aéreas apresentaram uma das maiores contribuições individuais para a queda do IPCA. Os preços dos bilhetes recuaram 13,17%, impacto de 0,11 ponto percentual no índice geral.

Os combustíveis também ficaram mais baratos. O etanol caiu 3,95%, enquanto o óleo diesel recuou 0,80% e a gasolina teve redução de 0,59%.

O gás veicular foi exceção e subiu 2,62%.

As corridas por aplicativos também ficaram 4,57% mais baratas em agosto.

Mais da metade dos produtos teve aumento

Apesar da deflação no resultado geral, o índice de difusão mostrou que a alta de preços continua espalhada por parte significativa dos produtos e serviços pesquisados.

Em agosto, 54% dos 377 itens acompanhados pelo IBGE registraram aumento. Em julho, esse percentual havia sido de 50%.

Na divisão entre preços de serviços e preços monitorados, os serviços tiveram alta de 0,03% no mês. Já os preços monitorados, grupo que inclui itens como energia elétrica e combustíveis, recuaram 1,26%.

Inflação acumulada permanece acima do centro da meta

O sistema de metas de inflação passou a considerar, desde 2025, a variação acumulada nos 12 meses imediatamente anteriores, e não apenas o resultado registrado no encerramento de cada ano.

A meta definida pelo CMN permanece em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O limite superior, portanto, é de 4,5%.

Com o acumulado de 4,22% em 12 meses até agosto, o IPCA permanece dentro do intervalo de tolerância, embora ainda acima do centro da meta.

Para o encerramento de 2026, a projeção apresentada pelo mercado no Boletim Focus é de inflação de 5%.

Como o IPCA é calculado

O IPCA acompanha a variação do custo de vida de famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos.

O levantamento considera 377 produtos e serviços, com preços coletados em dez regiões metropolitanas — Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre —, além de Brasília e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Os dados são utilizados pelo governo e pelo Banco Central para acompanhar a evolução dos preços e avaliar o comportamento da inflação no país.

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