O Governo do Amazonas iniciou uma articulação com prefeituras do interior e representantes do Governo Federal para coordenar o combate aos incêndios florestais que atingem o estado. A reunião, conduzida pelo governador Roberto Cidade na segunda-feira (12), definiu estratégias conjuntas para atender as regiões mais afetadas e preparar novas medidas para o período mais crítico da estiagem.
Durante o encontro, prefeitos e representantes municipais apresentaram as dificuldades enfrentadas em cada região. As demandas foram discutidas com integrantes do comitê estadual de crise e da comitiva federal, com o objetivo de direcionar equipes e recursos conforme a necessidade de cada município.
Roberto Cidade afirmou que o alinhamento busca estabelecer uma metodologia de trabalho integrada entre os governos e ampliar a capacidade de resposta aos focos de incêndio. O planejamento também prevê ações para enfrentar o agravamento das condições climáticas nas próximas semanas.
“Tratamos do cenário que estamos enfrentando nos últimos dias, mas também planejamos ações para o futuro, pensando no período mais crítico da estiagem”, declarou o governador.
Reforço aéreo e novas reuniões
Entre as medidas anunciadas está o reforço das operações com aeronaves, helicópteros, agentes e brigadistas. Os recursos devem auxiliar no combate ao fogo, especialmente em áreas florestais de difícil acesso.
De acordo com o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleiso Muniz, as operações aéreas foram organizadas a partir de dados de monitoramento e da identificação das regiões prioritárias.
O entorno de Manaus, o Baixo Amazonas e a região de Autazes, com atuação até Parintins, estão entre as áreas definidas para receber atenção operacional. O avião KC-390 iniciou as atividades na manhã de segunda-feira, enquanto outras aeronaves aguardavam condições adequadas de visibilidade devido à fumaça.
A estrutura operacional também prevê bases em Manaus e Itacoatiara. Segundo o comandante, quatro aeronaves deverão ficar nesta última para atender a região até Parintins.
O governador anunciou ainda novas reuniões com representantes da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), do Ministério Público do Estado (MP-AM), do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) e da Defensoria Pública (DPE-AM), além do vice-governador Serafim Corrêa.
Operações de prevenção e fiscalização
O combate às queimadas integra diferentes ações estaduais de prevenção, monitoramento e fiscalização ambiental. Entre elas está a Operação Tamoiotatá, iniciada em fevereiro de 2026, que abrange 13 municípios e teve as atividades intensificadas na Região Metropolitana de Manaus e em cidades como Manaquiri, Autazes, Careiro Castanho e Careiro da Várzea.
Outra frente é o Programa Floresta em Pé, que contratou 153 brigadistas florestais para atuar na prevenção e no combate aos incêndios, sob coordenação operacional do CBMAM e supervisão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
A Operação Amazonas+Verde, iniciada em maio, reúne ações de combate ao fogo, educação ambiental e enfrentamento a crimes ambientais. Já a Operação Alerta Fogo, do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), fiscaliza o uso ilegal do fogo em municípios de diferentes regiões do estado.
O planejamento também considera o Decreto Estadual nº 55.486, de 21 de setembro de 2026, que declarou situação de emergência no Amazonas em decorrência da estiagem, classificada como desastre de nível 2. A previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do esperado pode agravar o déficit hídrico e aumentar os riscos de incêndios.
Canais para denúncias e emergências
A população pode acionar o Corpo de Bombeiros pelo número 193 em caso de incêndio. Denúncias de queimadas ilegais e outras infrações ambientais podem ser encaminhadas ao Ipaam pelo WhatsApp (92) 98557-9454.
A Defesa Civil atende pelo número 199, enquanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo 192.
